
A “audiência” ultrapassou em muito minhas expectativas. Os encontros da “blogosfera”, então... ainda lembro minha emoção ao ser citado pela primeira vez no La Vieja Bruja... ou ao encontrar os links deste Diário no Animot, no Caldo de Tipos, no Nevrálgico e tantos outros igualmente importantes para mim. Foi uma experiência gratificante ouvir as pessoas comentando algum texto do blogue, ou ver um novo conhecido perguntando se eu era “o cara que escreve o Diário da Cratera Urbana”.
Minha meta era “cobrir” o ano do sesquicentenário de Santa Maria. Nesse meio tempo, falar do seu cosmopolitismo, confrontando-o com o provincianismo. Falar da cidade que acolhe tão bem os “estrangeiros” e segrega tanto o seu povo. Mostrar seus encantos, presentes onde quer que se olhe, mesmo em fotos “sem foco nem sentido”. Quis trazer à tela o dia-a-dia dos estudantes da UFSM, das lutas e debates do Movimento Estudantil, do qual participei durante tanto tempo. Comentar a política local, as questões que mexiam com a opinião pública da cidade. Juntar minha voz fraca ao coro dos que ousam destoar da opinião dominante, imposta pelos veículos da grande mídia.
Acredito que tenha feito um pouquinho de cada coisa. Manter o Diário da Cratera Urbana me fez aprender muito sobre o poder da comunicação. Expor minhas idéias publicamente me deu a oportunidade de amadurecê-las.
Contudo, estou deixando a Cratera Urbana antes do que esperava. Numa dessas guinadas inesperadas da vida, parto para o norte do país. Estou indo para Santarém, Pará, com a disposição de lutar nas fileiras da Reforma Agrária. Não sei das condições dessa nova fase, se serei obrigado a deixar a blogosfera – ao menos como colaborador, pois leitor serei sempre –, mas o certo é que não serei mais o redator do Diário da Cratera Urbana. Espero que o blogue continue, em outras mãos.
Agradeço aos leitores, aos que deixaram seus comentários e, principalmente, aos colaboradores, cujos artigos foram publicados aqui. Aos companheiros dessa verdadeira rede alternativa de comunicação, deixo meu abraço solidário e meu apoio nessa luta contra gigantes. Quixotesca, difícil, mas necessária.